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Mudanças Climáticas Depois de Pagar as Contas

  • Foto do escritor: Flavia Nico
    Flavia Nico
  • 16 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Num país com tantas demandas e recursos limitados muitas decisões ficam condicionadas a serem tomadas somente após o essencial ter sido feito. O planejamento e investimentos em mudança climática nas cidades portuárias acabam sendo comprometidos.

 

O Porto só vai investir em descarbonização após conseguir arcar com os investimentos em dragagem. A cidade só quer cooperar com o porto num projeto de adaptação climática após garantir os serviços básicos. Em resumo, descarbonizar e promover a resiliência na cidade portuária é só depois de pagar as contas.

 

O Acordo de Paris estabeleceu como meta o teto de aumento máximo da temperatura global em 1,5°, até 2050, em relação aos níveis pré-Revolução Industrial. Conseguimos acabar com essa expectativa já no ano passado: atingimos o aumento máximo esperado 25 anos antes do marco temporal estabelecido. Enquanto este for o único planeta que temos para viver, a responsabilidade pela sobrevivência planetária é individual e coletiva.

 

Os desafios da sustentabilidade portuária seguem a giganteza de nosso país. São tão grandes que incluir a sobrevivência planetária – e do próprio negócio - nas contas não é tão óbvio como deveria. Identifico 2 aspectos essenciais que precisariam estar mais presentes na cultura empresarial portuária: um planejamento estratégico de longo prazo e programas de sustentabilidade voltados para a resiliência da Relação Porto-Cidade.

 

A mudança climática requer uma agenda de iniciativas planejadas para períodos temporais de curto, médio e longo prazos envolvendo a governança da comunidade portuária. Em outras palavras, a mudança climática requer planejamento estratégico e programa estabelecido de Relação Porto-Cidade.

 

As iniciativas de descarbonização são variadas e partem da inventariança de gases de efeito estufa (GEE). As dificuldades de mapeamento das emissões começam por ultrapassar a barreira das divisões conceituais que segmentam os portos organizados em a autoridade portuária, operador portuário e arrendamentos. São todos Porto.

 

Para ser eficaz, o inventário deverá ser feito por todos eles ou ser um só e envolver todas as partes interessadas. Uma vez ultrapassada a fase de produção do inventário e avançando para implementação de seus planos de ação, a relevância da boa articulação dessa comunidade fica mais nítido. É aí que percebemos como uma boa Relação Porto Cidade  é vantagem competitiva.

 

Mais evidente ainda é quando avançamos para as iniciativas de adaptação e busca da resiliência da cidade portuária. Os muros ou poligonais perdem total sentido aqui. Tempestades, ventanias, inundações, aumento do nível do mar não reconhecem divisões políticas e desafiam barreiras físicas. A cidade e o porto são um só: a cidade portuária.

 

O plano de adaptação do Porto acontece no território da cidade e como engajá-la e mostrar que a mudança climática tem que entrar na conta? A Relação Porto-Cidade é diretamente influenciada pelo fomento da identidade portuária, da cultura de cooperação, da formalização de processos de tomada de decisões coletivas. A inovação social é excelente instrumento para governança da comunidade portuária.

 

Num momento positivo e acolhedor de inovações, a mudança climática é uma oportunidade para um novo tipo de relacionamento do porto com o território. Uma vez conquistado um novo tipo de relacionamento porto-cidade, a mudança climática caberá numa conta que poderá ser dividida.


 
 
 

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©2025 por Flavia Nico.

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