Inovação Social no Porto de Santos
- Flavia Nico
- 27 de out. de 2025
- 2 min de leitura

A inovação social está acontecendo frente às ameaças da mudança do clima em Santos e Guarujá. Este é um bom case de estratégia de gestão portuária que se aproveita das oportunidades da relação porto-cidade para retornos positivos para o negócio e o território.
A iniciativa “Fortalecimento da Relação Porto-Cidade para Promoção da Resiliência e Sustentabilidade” é uma parceria da Autoridade Portuária de Santos, ANTAQ, MPOR e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável/GIZ.
O grupo de trabalho mapeou e convidou a comunidade portuária de Santos e Guarujá para engajarem-se num processo de fortalecimento das relações porto e cidades. Cerca de 50 pessoas participam de oficinas para pensar as cidades e o porto juntos. A dinâmica começou com a sensibilização das partes interessadas para se perceberem como integrantes de algo maior: a comunidade portuária.
A comunidade portuária do Porto de Santos ganha cara e voz. São faces que representam interesses e pontos de vista diferentes: poderes público local, estadual, federal; trabalhadores e gestores do Porto; terminais portuários e empreendedores; acadêmicos e associações de moradores e pescadores. São também múltiplas vozes: algumas mais conhecidas e outras raramente escutadas.
Nesse espaço de falas francas e escuta ativa, dores são reveladas e desafios particulares surpreendentemente se alinham. O que se acreditava ser de interesse individual é agora algo compartilhado. O que se supunha ser um grande problema é relativizado frente a uma demanda até então desconhecida. O lugar de fala é de todos.
A complementaridade de conhecimentos tão variados foi a grande descoberta da primeira oficina presencial. Essa é uma possível cola para fomentar a integração das várias partes da comunidade portuária. As oficinas acontecerão até novembro, renovando vínculos e fortalecendo a identidade da comunidade portuária local.
O fortalecimento da relação porto-cidades tem como objetivo maior um desafio comum: a mudança do clima. As ameaças naturais são potencializadas num ambiente já vulnerável: Santos e Guarujá são cidades litorâneas, numa região historicamente marcada por deslizamentos e chuvas recorrentes e fortes.
Santos elaborou o Plano de Ação Climática de Santos (PACS), em 2022. O Porto, em outra parceria com ANTAQ e GIZ, realizou o Levantamento de Risco Climático e Medidas de Adaptação para Infraestruturas Portuárias, em 2023.
O PACS aponta que os sinais das mudanças climáticas são a intensificação dos eventos extremos de chuva, tanto em frequência quanto em magnitude. Haverá mais condições para deslizamentos de terra e inundações. O Levantamento do Porto apontou como principais ameaças: vendavais, enchentes e inundação fluvial, ressaca, aumento do nível do mar e neblina. O ponto de encontro entre a probabilidade e a severidade de acontecimento de um evento extremo é chamado risco. O maior grau de risco para o Porto é ‘médio’, associado às ameaças chuva persistente, chuva forte e inundações.
As ameaças cidade e porto são comuns, mas os instrumentos são separados. Em busca de uma solução partilhada, a comunidade portuária é o ambiente criativo para estratégias, iniciativas e ações inovadoras para enfrentamento e superação dos desafios da mudança do clima nas cidades portuárias.
*Publicado originalmente em A Tribuna|Santos.SP (30/08/2024)




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