Agenda 2030 Portuária
- Flavia Nico
- 10 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Sustentabilidade e inovação devem ser parte do planejamento estratégico dos portos brasileiros.
São novos temas contemporâneos que caminham juntos: não há sustentabilidade sem inovação e inovação que não seja sustentável. Explico.
Trazer a sustentabilidade para a gestão portuária é uma questão de princípio e de propósito: os portos são negócios complexos e com impactos variados. O desenvolvimento sustentável é o equilíbrio entre satisfazer as necessidades do presente garantindo que as gerações futuras tenham acesso aos mesmos recursos. Mensagem certeira para CEOs portuários: pautar suas decisões pelo princípio da sustentabilidade, garantindo que o porto se perpetue no tempo de forma responsável, e com o propósito de aproveitar de todo seu potencial para transformações positivas nos territórios onde se inserem.
Sustentabilidade, nesse sentido, é top-down: deve partir de uma decisão estratégica do board portuário. Sua implementação, aí sim, é de competência de outras esferas hierárquicas da administração portuária.
E como implementar?
Um excelente roadmap é a Agenda 2030, da ONU, com seus 17 ODS e 169 metas.
Pensando nisso, tive a oportunidade de desenhar o Agenda 2030 Portuária, programa de sustentabilidade da Secretária de Portos, proposta de trazer a sustentabilidade como tema central para os portos a ser implementado de forma convergente com as mudanças climáticas e iniciativas de inovação. Projeto inovador que é co-construído a muitas mãos, em parcerias com AIVP, ATP, ABTP, ABEPH e FENOP. Isso significa que não há uma lista de iniciativas pré-programadas e já fechadas: as ações são construídas a partir da convergência de interesses e sinergias.
Foi assim que realizamos o workshop de Boas Práticas em Sustentabilidade Portuária, com a Portonave emocionando com o case “Um toque de inclusão”, Hidrovias do Brasil estimulando seus funcionários a fazerem inovação, Rio Brasil e Pecém indicando oportunidades na transição energética, Santos Brasil e Porto de Santos compartilhando iniciativas de relação cidade e porto com foco em resiliência climática. Sim, nossos portos têm muitas iniciativas para compartilhar.
E por que não compartilharmos com todo o mundo estas iniciativas?! Já somos quase 20 representantes de instituições portuárias que iremos a Lisboa participarmos da 19ª Conferência Internacional da Associação Internacional de Cidades Portuárias, a AIVP, associação francesa que com longa trajetória de mais de 30 anos tem fomentado a proximidade entre portos e territórios, e com quem o MPOR realizou acordo de cooperação técnica. Destaque para os Portos do Açu e de Itaqui, convidados a expor os projetos da Caruara e da Aliança para Descarbonização, respectivamente.
A inovação é a criação de algo novo ou a melhoria de algo existente, um valor transversal que perpassa uma cultura aberta, de valorização das pessoas, pronta para parcerias e ávida por soluções facilitadas pelas novas tecnologias. https://www.atribuna.com.br/opiniao/flavia-nico/agenda-2030-portuaria-1.440222Os Portos de Rotterdam e de Antwerpia apresentaram para nós os projetos MAGPIE e PIONEERS. Estes projetos aglutinam parcerias, inovação, descarbonização, sustentabilidade. Uma mensagem do que nós também podemos fazer por aqui. Uma sugestão de futura iniciativa do Agenda 2030 Portuária.
*Publicado originalmente em A Tribuna|Santos.SP (05/11/2024)




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